Dis moi comment

Vá!

Por favor, vá e não se esqueça de nada. – Fechou os olhos lentamente. Não quis acreditar naquele instante. Foi então para um outro, um que ambos quase nem se lembravam mais. A lembrança era quase translúcida de tão distante.

Fora dois dias antes. Esbarravam em uma estação do metrô. Ele derrubara os livros de Elis. Ela os recolhia apressada, quando por um segundo suas mãos se tocaram, eles se entreolharam e ali viram uma história. Depois de algumas taças de vinho, estavam já sentindo o calor da bebida, um no corpo do outro. A fascinação era incontrolável, toda a delicadeza daquele rapaz, sabia exatamente como dizer coisas impróprias da maneira mais apropriada possível.

Só sei que te quero. Não faço ideia do porquê, mas quero e preciso de você aqui, perto de mim. Beijos incontroláveis, que pareciam durar horas seguiam sempre essas frases de Ricardo. Ela temia por cada uma destas tuas palavras, mas o desejo era mais forte e quando juntos tudo parecia fazer sentido.

Abriu os olhos. Aquela lembrança perdeu o resquício de força que ainda possuía. Agora, ele não mais estava lá. Como um cão adestrado seguiu o comando que lhe foi dado. Foi. Nada esqueceu. Não voltaria.

Era quase incompreensível um romance tal qual este. E toda vez que indagado, respondia com os mesmos versos (quase sempre cantarolados):

“Porque era ela
Porque era eu”

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