Memória

17 de novembro de 2009

– Um beijo! – Ela pedia com os olhos tão marejados, tão mareados, que ele não conseguia negar-lhe. – O último. – Fez questão de impor antes de satisfazer o pedido.

Durante alguns minutos tudo o que conseguiam enxergar eram os olhos um do outro. Entre mordidas, lágrimas, mãos entrelaçando fios de cabelo, esqueciam-se porque deveria ser aquela a última vez. Toda aquela delicadeza que só encontravam na ferocidade daquele amor. Só deles. Só eles.

– Nunca te esquecerei. Tenha certeza disso! – disse ela.

Ele sorriu. Abraçaram-se.

  25 de agosto de 2011

Chega ao café de sempre, cumprimenta a amiga que já a esperava a alguns minutos. Conversam. A amiga percebe o ar absorto e questiona-a.

– Não é nada. – responde, ainda conectada ao pensamento distante. – Sabe aquela estranha certeza de que conhece uma pessoa com quem cruzas na rua? Tive isso a pouco. Aquele homem não me era estranho. Seu rosto, seus lábios, os olhos. Todo ele parece que morava dentro de mim. Talvez o conheça de meus sonhos, mas o conheço, tenho certeza.

– Será que não foi algum colega de faculdade?

– Não sei. Eu não o esqueceria se fosse realmente importante. Então, deixemos isso pra lá.

Sorriu, fingindo que não ligava mais para aquele pensamento. Os olhos a denunciavam. Pareciam buscar o rosto em todas as lembranças. Não encontrava.

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