Do que não foi, nem nunca será

“CRETINO!”

Tive vontade de gritar. Algo me segurou. Como sempre.

Queria ser desapegada de tantos pudores, tantas amarras. Tenho nojo de tudo isso e mesmo assim estou imersa neste lago de hipocrisia.

“Tudo bem.”

Foi o que, cabisbaixa, acabei dizendo. – Não, nada está bem, quero minha fatia de felicidade também. Sou humana. Mereço tanto quanto tu o que buscas. Saibas que também busco. Em outros lugares, de outras formas, mas busco.

“Oras, se não queres ser ferido, por que trouxeste este punhal? Se doeu em ti, o que te faz pensar que não dói em mim?”

Eu não disse isso, novamente minhas correntes me impediram. Às vezes, sentia vontade de voltar no assunto, mas não, ele não ouviu sequer uma das palavras que gostaria de ter dito.

Ele nem mesmo viu o meu semblante de rancor, indignação, incompreensão pelo que estava me dizendo e que eu pouco conseguia digerir. Não entendia suas palavras, tudo me parecia real, comecei a duvidar de tudo, de todos. O mal que me fizera ia além do que o que houvera entre nós dois.

Não, ele não viu isso, nem mesmo a minha vontade presa na garganta de agredi-lo, maldize-lo aos sete ventos. Está tudo aqui, dentro de mim. Quero vomitar, em seu rosto, fazendo-o sentir o sabor do que plantara em mim, de todo esse amargo sentimento chamado paixão.

Quero agarra-lo como um gavião, de maneira que seja impossível a defesa. Quero abraçar minha presa ferozmente, segurar com força seu corpo, beijar tua boca, dizer segredos aos ouvidos. Dizer que era tudo bobagem, que devemos recomeçar, que sou dele, que não se engane.

Mas, por enquanto, vou ficar com mais uma dose de tequila.

 

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