La Niña

As portas agora estão fechadas. Não permitirei mais que entres. És como grande ventania. Uma ventania dissimulada, que a princípio vem leve como brisa, que simula grato refrescar em tortuoso verão. Abri a casa, deixei que tomasse conta. Aí, então, mostrava sua verdadeira face.
Derrubava quadros, arrancava minhas cortinas, deixando tudo revirado. Colocar tudo em seu devido lugar é difícil, dá trabalho.

Deixei que entrasse três verões. O estrago foi sempre o mesmo. Por isso, agora, as portas estão fechadas. Não adianta vir com teu assobio provocador. O frescor que me ofereces não compensa a bagunça que deixas em meu coração. Digo, minha casa.

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