Inesperado

A canção não saía da cabeça do rapaz. Tentava cantarolar quaisquer outras músicas, mas não adiantava. Quando achava que estava esquecida, ela voltava. Não era a canção. Era ela. Aquela criatura, doce e voraz. A música lembrava-o dela. Podia sentir seu toque a cada acorde. Era uma deliciosa tortura escutá-la.

Se fosse um disco já teria arranhado, pensou.

Não conseguia entender porque ela. Poucos conseguiam ver todas aquelas qualidades que ele encontrava tão facilmente naquela pequena. Para ele, era exatamente como precisava ser. Exatamente. O que o intrigava era que não conseguia perceber em que momento passara a sentir-se daquela maneira por ela…

Vez ou outra sentia vontade de revê-la. Às vezes, até esquecia seu nome. Da pequena moça, não da canção. Essa era inesquecível. Dez segundos… e lembrava. Lembrança acompanhada de sorriso. Mas não iria atrás. Não mais.

Afinal, apesar de todo ensaio, de todas as palavras trocadas, do desejo sufocado, apesar do que poderia parecer para qualquer estranho, eram apenas desconhecidos. E sabiam disso.

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