Desafio particular – parte I

Bem, como adoro um pouco de desrotinice, entrei em um desafio literário que exige que os participantes produção textos dirigidos. A cada semana teremos um novo tema e eu os colocarei aqui, conforme os criar. Este é o texto que fiz para a inscrição. Vale ressaltar que todos possuem a limitação de 2000 caracteres.

 

Essa é uma história rotineira sobre uma rotina. Uma história rotineira que foge à rotina.

5:55- Tocou o alarme. Como de costume, apertou o soneca e aproveitou os 15 minutos de felicidade que sempre se reservava pelas manhãs. Era bem mais que ela e a cama. Era pura liberdade.

6:00- Precisava levantar, senão perderia o trem das sete. Tomou o banho apressado, demorou passando manteiga no pão, misturou o chocolate ao leite. O pão caiu, tentando recupera-lo o chocolate também caiu. Limpou a sujeira. Olhou o relógio.

7:00- Desceu correndo as escadas da estação de Nova Iguaçu. O que viu foi triste. Era tarde. Perdera o trem. Sentou desconsolada no banco da plataforma.

8:40- Desceu na estação da Central do Brasil. Precisava correr, pois, até chegar na faculdade, que ficava perto da Praça Tiradentes…

8:43- Atravessou a Av. Presidente Vargas e decidiu que naquele dia, somente naquele, tomaria outro rumo. Entrou no Campo de Santana. Estava curiosa sobre aquele espaço que sempre via e nunca entrara. Um ano inteiro passou por ali sem interesse.

O tempo parou- Não fazia mais diferença o pão caído, o trem perdido, a aula, nada. Era outro mundo, ali, em seu mundo. É como o Central Park, mas aqui no Rio. No meu Rio de Janeiro e eu nunca tinha visto. – pensou aflita. – Quantos outros lugares não há por aqui para eu ver, sentir, visitar?…

Fotografou muito, especialmente uma árvore que tinha cipós audaciosos. Em casa, colocou as fotos na internet. Nenhum comentário. Uma curtida. Sentiu-se boba. Precisava ouvir de alguém que fotografar árvores não era bobagem. Que havia beleza no que ela descobrira ali.

Talvez eles ainda estejam passando do lado de fora do parque. As grades os impedem de enxergar a beleza. – justificava.

Quinze para as seis.  Tocou seu alarme. Quebrando o costume, resolveu levantar mais cedo. Não que não quisesse perder o trem das sete. Não queria perder o parque que descobrira e que daquele dia em diante seria seu refúgio diário, ainda que por quinze minutos.

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