Ânsia

Abana de leve as bicheiras que te mastigam

deixa que levem isso que ferve a carne

Esse vulcão que  abrigas, dribla

vomita, as moscas, as dores

digere as cores quentes e chega!

Chega de pedir perdão

é isso que as moscas comem

disso que elas vivem

de ilusão, desilusão

Abre a geladeira, come o que cheirar bem

o que cheirar mal, devore

Sai à porta e olha teu público transeunte

cospe nos que aplaudem

enfia o dedo na garganta e explode

provoca uma autópsia sem lâmina

bota pra fora e vai embora

cata as moedas do chapéu

que essa porra nem vale a pena

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Devorada

Ri, roda, sossega

essa alma, esse mundo

não tem manual, vem ver

da janela os foscos dentes

me mastigam, conversam

entre si, sorriem

para a solidão, solene, escandalosa

nossas almas rodadas, rendadas, perdidas

alimentam as horas

que devoram meus ponteiros, calam

a noite encarcerada, muda

essa cantiga muda.